Início do cabeçalho do portal da UFERSA

CTARN

Tarifa de importação de cebola deverá subir para 25%

Tecnologia 12 de dezembro de 2017. Visualizações: 12. Última modificação: 12/12/2017 09:12:33

A tarifa incidente sobre as importações brasileiras de cebola deverá ser elevada para 25% a partir de 2018, ante os 10% praticados atualmente. O aumento era reivindicado pelos produtores desde maio. Na terça-feira, o Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou solicitação do Ministério da Agricultura para a inclusão do produto na Lista de Exceções à Tarifa Externa Comum (Letec).

Na prática, o aumento do imposto deverá afetar as compras de cebola da Europa, principal região fornecedora do Brasil, e favorecer países como a Argentina, segunda maior origem do produto importado.

Quando solicitou a elevação da alíquota, a Associação Nacional dos Produtores de Cebola (Anace) alegou que o preço de importação desde alguns países europeus era inferior ao custo de produção nacional, o que prejudicava principalmente agricultores familiares do Sul e do Nordeste do país.

Segundo Rafael Corsino, presidente da entidade, enquanto o preço da cebola europeia gira em torno de R$ 14,30 a saca de 20 quilos, o custo de produção no Brasil está em R$ 16 a saca. “Com o aumento da tarifa, o produtor ganha fôlego na competição desleal que estava havendo com a comunidade europeia. Agora, precisa fazer sua lição de casa, que é tornar a produção mais eficiente”, afirma Cursino.

E é bom que isso aconteça, porque já foi estabelecido um cronograma para o retorno gradual da alíquota a 10% até 2021 – serão 20% em 2019 e 15% em 2020.

O presidente da Anace avalia, contudo, que o prazo é apertado para a melhora do desempenho da produção brasileira. “Esperamos que o produtor se torne competitivo o quanto antes e não precise mais desse imposto. Agora, caso seja preciso, vamos novamente mostrar que não está na hora de mexer nessa tarifação”.

Ironicamente, o aumento da taxa ocorre depois de um ano em que as importações nacionais de cebola ficaram em patamares historicamente baixos. De janeiro a outubro, o volume adquirido no mercado internacional somou 6,12 mil toneladas, ante mais de 178 mil em todo o ano de 2016.

O imbróglio com a cebola europeia começou em 2014, quando a Rússia proibiu as importações de alimentos originários dos países da União Europeia em resposta aos embargos impostos após a anexação da Crimeia.

“Naquele momento, a safra de algumas regiões do Sul do Brasil quebrou, o que fez do país um mercado consumidor das cebolas europeias, que passaram a entrar com mais facilidade”, diz Marina Marangoni, pesquisadora do Cepea/Esalq. Até aquele ano, a Argentina era a principal origem das cebolas importadas pelo Brasil. Com o aumento da tarifa, Marina prevê melhores preços aos produtores brasileiros nos próximos anos.

Fonte: valor econômico.