Início do cabeçalho do portal da UFERSA

CTARN

Produção de tomate frustra expectativas

Sem categoria 4 de outubro de 2018. Visualizações: 178. Última modificação: 04/10/2018 10:51:06

Produção de tomate em Araguari (MG): colheita deste ano poderá alcançar 4,4 milhões de toneladas, ou R$ 10,3 bilhões.
Era para ser um ano de forte recuperação de receita, mas os produtores brasileiros de tomate terão de se contentar com um crescimento mais tímido. Isso porque a boa produtividade observada em algumas regiões elevou mais a oferta que o inicialmente estimado e pressionou os preços, ao passo que no quarto trimestre, em decorrência das chuvas, a colheita tende a ser prejudicada.

Com as boas perspectivas iniciais para volumes e cotações, o Ministério da Agricultura iniciou o ano elevando sua projeção para o valor bruto da produção (VBP) de tomate no país este ano. Em janeiro, previa R$ 7,4 bilhões, montante que passou a R$ 11,8 bilhões em fevereiro. Em agosto, porém, o valor foi revisado para R$ 10,3 bilhões, 17,2% acima do resultado do ano passado.

Se confirmado, esse VBP do tomate ainda será um dos maiores do setor agrícola, abaixo apenas de soja, cana, milho, algodão, laranja e banana. Mas é considerado insuficiente para compensar as perdas de 2017. Estimativas privadas indicam que o cenário, que já não é tão positivo, ainda poderá se complicar um pouco mais.

Edson Trebeschi, da Trebeschi Tomates, estima um crescimento de 4% da produção brasileira neste ano, enquanto as perspectivas para os preços são de queda, por causa da boa produtividade que impulsiona o aumento de oferta. “A produção da nossa empresa deverá ter um aumento da produção, associado à produtividade, de cerca de 8% em relação à safra passada. O mercado como um todo deverá crescer 4%”, diz.

A Trebeschi mantém mil hectares plantados com tomate em mais de 17 municípios de diferentes regiões do país. O empresário lembra que a oferta no país deve apresentar queda no último trimestre, devido às perdas causadas pela estação chuvosa, mas ainda é difícil mensurar se haverá algum aumento de preços capaz de compensar os volumes menores de comercialização.

“Se houver mais chuva [nos próximos meses], a tendência é que a produtividade seja um pouco menor”, diz João Paulo Deleo, pesquisador do Cepea/Esalq. Ele lembra que houve queda de 14,7% na área cultivada na safra de verão do ciclo 2017/18, para 6,5 mil hectares, e que as previsões são de nova baixa, de 10,6% na safra de inverno, para 4,9 mil hectares. Mas, graças à produtividade, o IBGE estima a colheita nacional em 4,4 milhões de toneladas, volume estável em relação ao da temporada 2016/17.

“Se a produtividade continuar compensando a redução de área, não devemos ter uma cenário animador de preços”, avalia o pesquisador. Para uma valorização, a produtividade teria que voltar aos patamares do ano passado – 3,8 mil caixas de 20 a 28 quilos por hectare entre junho e julho, segundo o Cepea, que estima 4,3 mil caixas no mesmo período de 2018.

Na avaliação de Bruno Trevisaneli, agrônomo da Predilecta, maior processadora de tomate do país, o aumento de custos associado à valorização do dólar, que chega a até 25%, ainda podem forçar uma elevação de preços e engordar o VBP do produto. Se essa visão prevalecer, afirma, a área plantada poderá voltar a crescer em 2019.

“A variação cambial e a produção mundial em queda podem inclusive incentivar o Brasil a exportar para outros países”, avalia. Já em relação ao consumo, as perspectivas são menos animadoras. “O brasileiro está deixando de consumir o extrato de tomate, mais elaborado e mais concentrado, e comprando mais molho pronto, que é um produto mais diluído”, completa Bruno Trevisaneli.

Fonte: Valor