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Oferta de limão cai e deve inflacionar o preço da caipirinha

Sem categoria 10 de junho de 2018. Visualizações: 125. Última modificação: 10/06/2018 12:13:42

A celebração da Copa do Mundo será mais amarga para os apreciadores da caipirinha. Com uma produção de limão abaixo do esperado no segundo trimestre deste ano, o valor da fruta pesou na inflação dos alimentos em maio. Segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômica (Fipe), o limão foi responsável pela maior alta no setor de alimentos na capital paulista no mês passado: a valorização foi de 35,73%.

Segundo levantamento do Cepea, o preço médio da caixa de 27 quilos de limão tahiti em maio ficou em R$ 43, alta de 126% sobre abril, quando o valor médio foi R$ 19,06 a caixa. A alta reflete o tempo quente e seco entre fevereiro e abril, que prejudicou a florada e a formação dos frutos esperados em maio, quando o limão chegou a ser negociado por até R$ 70 a caixa.

“Neste início de ano nós tivemos muito pouca chuva, menos que o normal para o período, e isso atrasou bastante o crescimento da fruta”, explica Vagner Luis Promicia, diretor da Itacitrus, em Itajobi (SP). O empresário avalia que a oferta tenha recuado entre 20% e 30% em abril e maio deste ano na comparação com igual período de 2017.

A falta de chuvas não era esperada pelos produtores, dada a maior regularidade das precipitações em dezembro e janeiro. Com isso, muitos intensificaram a colheita e as vendas para a indústria. “Ninguém esperava que fosse cortar chuva em fevereiro”, desabafa Marcos Carvalho, produtor também de Itajobi.

Ele afirma que, embora muitos produtores tenham pomares irrigados, isso não tem sido suficiente para induzir a florada. Assim, a perspectiva é que a menor oferta perdure até o segundo semestre do ano. “A partir de agosto, a tendência é não ter limão pronto para o mercado”, avalia.

Se depender do clima, a situação deve mesmo se agravar. “Daqui para frente, o normal é tempo seco em São Paulo, principalmente nas áreas produtoras de citros”, explica Marco Antonio dos Santos, da Rural Clima.

O Cepea, contudo, espera queda dos preços neste mês. “Se as frutas realmente chegarem ao estágio de maturação demandado pelo mercado de mesa, a oferta em junho deve ser maior”, afirma a analista Caroline Ribeiro.

Já os produtores de limão apostam em preços ainda em patamares elevados, embora inferiores aos picos vistos em maio. Além da entressafra, com a oferta oriunda basicamente de Minas Gerais e Bahia, o período de seca no Sudeste do país é citado como fator de alta no mercado. “Eu acredito que o preço se estabilize em R$ 30 a R$ 35 a caixa em junho para, a partir de julho em diante, voltar a subir por causa da entressafra”, afirma Promicia, da Itacitrus.