O seguro rural tem se destacado com crescimento sustentável e uso da tecnologia, somado à conscientização sobre sua importância como proteção à produção, seja na pecuária ou agricultura. Nos primeiros seis meses deste ano, foram concretizados 23.533 contratos de seguro rural (apólices), com subvenção do governo. Até o fim do ano, o total de contratos deve subir para 70 mil, segundo dados do Programa de Subvenção Rural (PSR). Ainda que em um universo restrito, a iniciativa privada investe em tecnologia para aperfeiçoar coberturas oferecidas.
Especialistas consultados avisam que o alcance do seguro rural no país seria maior se houvesse elevação da participação do governo. Hoje, o ramo rural representa 6,3% do total do setor de seguro. Perde, de longe, para a proteção contratada para carros (52% do total do setor), explica o presidente da comissão de seguro rural da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Wady Cury.
O coordenador-geral de seguro rural da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Diego Melo de Almeida, afirma que o programa de subvenção ao prêmio do seguro rural continua sendo o principal indutor para o seguro rural no Brasil. O Ministério da Agricultura tem contrato com 12 seguradoras habilitadas no programa. “Tomando por base os R$ 384 milhões disponíveis para subvenção em 2018, estimamos uma área segurada de 5 milhões de hectares pelo programa e 11 milhões de hectares no total”, afirma Melo de Almeida.
Ainda que os recursos da subvenção sejam restritos, a iniciativa privada investe em tecnologia para avançar e conquistar mais agricultores. O grupo segurador BB e Mapfre viu seu produto mais sofisticado, o Seguro Agrícola Faturamento, ganhar mercado. Hoje, é o carro chefe, com 60% das contratações em relação a outros produtos do grupo.
Com mais de 60 mil apólices no país, abrangendo 75% do segmento de seguro rural, com soluções para 70 tipos de culturas agrícolas, o Grupo BB e Mapfre divulgou neste mês o uso de imagens de satélite e de drones, dentro do projeto chamado Hi@gro, para a análise de áreas alvos de sinistros e para o cálculo de exposição de riscos de safras agrícolas, decorrentes de variação do clima.
Desde 2016, junto com o seguro agrícola tradicional, a Swiss Re tem ofertado o seguro paramétrico – baseado em índices climáticos definidos previamente junto ao agricultor. Esse produto responde por quase 10% da operação de seguro agrícola da Swiss Re Corporate Solutions Brasil. Em 2017, a carteira de seguro rural representou 24,4% do total de prêmios emitidos.
Na Swiss Re, 65% dos clientes estão na região sul do país e 70% possuem áreas seguradas inferiores a 70 hectares. A equipe de seguro rural da empresa é composta por 16 pessoas, entre engenheiros, veterinário, profissionais de zootecnia e computação, até um metereologista. “Fazemos forte uso de modelagem estatística e atuarial, técnicas de otimização e inteligência artificial aliado à experiência de campo da equipe para a análise do clima, dos riscos e desenvolvimento de novos produtos”, diz o diretor comercial da Swiss Re Corporate Solutions, Guilherme Perondi.
O seguro rural cobre diferentes riscos nos ramos agrícola, incluindo animais, florestas, culturas na água, construções e instalações agropecuárias (patrimonial), máquinas, produção agropecuária, cédulas do produto rural, vidas dos trabalhadores, entre outros.
Com relação às máquinas, a corretora Marsh propõe um gerenciamento de risco, com check list dos equipamentos pelos fabricantes, conta o líder da prática de agronegócio da Marsh, José Zanni. Um estudo da corretora, finalizado ano passado e concentrado no setor sucroenergético, apontou muitos acidentes com colhedoras, colheitadeira e tratores, decorrentes de falta de manutenção, treinamento e capacitação os operadores. Somente em 2017, os acidentes com equipamento agrícolas no campo, durante as safras, geraram prejuízos de R$ 609 milhões, aumento de 18,70% em relação a 2016.
Fonte: Valor